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    o brasil que d� certo - sustentabilidade

    Parceria entre ind�stria e redes de catadores empurra reciclagem

    DENILSON OLIVEIRA
    COLABORA��O PARA A FOLHA

    30/10/2017 02h00

    Quando chegou ao mercado brasileiro de cervejas, no final de 1989, a lata de alum�nio prometia uma revolu��o. Tirava de circula��o sua antecessora, mais pesada (feita de ferro, a�o e estanho), e era 100% recicl�vel.

    De l� para c�, cresceu o debate em torno da sustentabilidade e formou-se uma teia que envolve catadores de material recicl�vel. Eles passaram a se organizar em cooperativas e empresas, de olho na quest�o ambiental e na log�stica reversa dos produtos.

    A latinha de alum�nio continua como grande exemplo dessa cadeia: hoje, 98% das latas consumidas no Brasil, cerca de 24 bilh�es por ano, s�o recicladas. Esse �ndice coloca o pa�s na lideran�a de reaproveitamento do material (a m�dia mundial � de 69%).

    "O alum�nio sempre teve um valor muito alto em rela��o a outros materiais recicl�veis e sab�amos que aquilo poderia ser uma alternativa de emprego e renda", diz Renault Castro, presidente- executivo da Abralatas, associa��o que re�ne os fabricantes do setor.

    "Grande parte de nosso �xito n�o seria alcan�ado sem a atua��o de catadores e cooperativas. Foi ent�o que passamos a enxerg�-los como parceiros, e nossa ind�stria come�ou a investir nesse tipo de trabalho", completa.
    Nos �ltimos cinco anos, diz ele, as empresas do setor contribu�ram com US$ 200 milh�es na moderniza��o e capacita��o de cooperativas e na forma��o de catadores.

    Outros setores seguiram o caminho das latas. A ind�stria do pl�stico, por exemplo, recicla hoje 25,8% do que � consumido de sua produ��o: 550 mil toneladas por ano.

    "Se compararmos com outros setores, o �ndice pode parecer baixo. Mas � preciso levar em conta que hoje o pl�stico tem uma infinidade de aplica��es", diz Jos� Ricardo Roriz, superintendente da Abiplast (Associa��o Brasileira da Ind�stria do Pl�stico).

    A associa��o fez junto �s cooperativas um trabalho de capacita��o para que os catadores identifiquem e separem de melhor forma o material reaproveit�vel. "Com a ind�stria, preparamos uma cartilha com recomenda��es sobre efici�ncia e design sustent�vel, para que sejam produzidas embalagens f�ceis de serem recicladas."

    Outro setor que se beneficia dessa teia � o de caixas de produtos longa vida. Hoje, 60 mil toneladas (22,1%) dessas embalagens t�m destina��o ap�s seu consumo. A Tetra Pak, maior fabricante do produto, investe na pesquisa de itens que possam ser feitos a partir de seus res�duos.

    "A embalagem � composta por 75% de papel, 20% de pl�stico e 5% de alum�nio. As cooperativas vendem o que foi coletado para 14 empresas que fazem a separa��o desses materiais", diz a diretora de meio ambiente da empresa, Val�ria Michel.

    Essas empresas comercializam a fibra de papel, que pode ser usada na produ��o de caixas de papel�o e embalagens para ovos. J� o res�duo da camada de pl�stico e alum�nio � vendido, por exemplo, para a ind�stria da constru��o civil, que o transforma em telhas. "Substitui aquelas mais antigas, de amianto. E, por conta do alum�nio, o produto reflete boa parte do calor", afirma Michel.

    Editoria de Arte/Folhapress

    LONGE DO IDEAL

    O cen�rio da reciclagem no Brasil ainda est� longe de ser o ideal. Em 2016, o pa�s produziu 73,8 milh�es de toneladas de lixo urbano, segundo a Associa��o Brasileira das Empresas de Limpeza P�blica e Res�duos Especiais. Desse total, 31,9% � composta por materiais recicl�veis, mas s� 3% s�o reciclados.

    "Ainda esbarramos na falta de interesse de muitos munic�pios em investir numa coleta seletiva que inclua a import�ncia das cooperativas", afirma Roberto Rocha, coordenador da Associa��o Nacional de Catadores.

    Roberval Prates Reis, coordenador da Rede Cata Sampa, que re�ne 22 cooperativas da regi�o metropolitana de S�o Paulo, lembra que muitos catadores ainda resistem a se filiar a uma cooperativa.

    "Eles est�o acostumados a trabalhar sozinhos e a receber diariamente. O problema � que assim ficam ref�ns de ferros-velhos e atravessadores, que pagam bem menos pelo material que recolhem."

    "O cooperativismo � uma op��o para que se tenha uma renda mais justa. Quando se filia a uma associa��o ou entidade, o catador come�a a atuar como se fosse dono de seu pr�prio neg�cio", diz Marco Morato, analista t�cnico e econ�mico da Organiza��o de Cooperativas do Brasil.

    A ind�stria de bebidas deu um passo para apoiar cooperativas. Ambev e Coca-Cola t�m um projeto que pretende, entre outras metas, ajud�-las no caminho at� a excel�ncia em gest�o e infraestrutura, diz Andrea Matsui, gerente de sustentabilidade da Ambev.

    "Visa tamb�m colaborar com a meta do Acordo Setorial de Embalagens, de reduzir no m�nimo 22% das embalagens em aterros sanit�rios at� 2018", diz Pedro Rios, vice-presidente de rela��es corporativas da Coca-Cola Brasil.

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