Joesley diz que Cardozo se arrependeu de lei contra organiza��es criminosas
Leonardo Benassatto/Reuters | ||
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O empres�rio Joesley Batista na sede da Pol�cia Federal, em S�o Paulo |
Um novo �udio de Joesley Batista recuperado pela Pol�cia Federal cont�m relatos do empres�rio sobre o ex-ministro da Justi�a Jos� Eduardo Cardozo.
A grava��o, publicada pela "Veja", � de uma conversa do s�cio da JBS, que est� preso, com um interlocutor chamado "Gabriel". Segundo a revista, supostamente se trata do deputado federal Gabriel Guimar�es (PT-MG).
A assessoria de Guimar�es diz que "o deputado n�o vai se manifestar sobre conversas privadas sem interesse jur�dico".
No trecho sobre Cardozo, Joesley relata di�logos com ele e sugere que o ex-titular da Justi�a se arrependeu da lei das organiza��es criminosas, aprovada durante o governo Dilma Rousseff (PT) e hoje usada na Opera��o Lava Jato em processos contra pol�ticos. Cardozo nega.
O empres�rio diz no �udio que, em um jantar com o ex-ministro dias antes, relembrou encontro anterior dos dois, aparentemente ocorrido em 2013, ano em que a lei foi implementada.
Nesse primeiro contato, Cardozo comemorava a aprova��o da legisla��o, que seria "uma lei fant�stica" para ajudar a combater grupos como o PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo o relato de Joesley.
"Coincidentemente eu janto com o Z� agora, um m�s atr�s, dois meses atr�s. No iniciozinho, falei: '� Z�, antes de come�ar a conversa: lembra aquela vez que a gente jantou? [...] Voc� lembra que tava feliz, comemorando da lei de combate ao crime organizado?", afirma Joesley no �udio.
Segundo o s�cio da JBS, Cardozo respondeu: "Puuuta cagada, Joesley. Nos enganaram. [...] Aprovamos essa lei, pensando no crime organizado, no narcotr�fico. Eu e a Dilma, rapaz, nos enganaram".
A fala seria uma refer�ncia do ex-ministro � aplica��o posterior da lei na investiga��o de crimes praticados por pol�ticos. Isso era visto pelo ex-titular da Justi�a como "a fonte de todos os problemas", de acordo com o relato do empres�rio.
Cardozo disse � Folha que n�o pode comentar a conversa deste ano com Joesley, por sigilo profissional, j� que o contexto era de rela��o entre advogado e cliente.
No entanto, o ex-ministro afirma que "nunca" disse a ningu�m que ele e a ex-presidente Dilma Rousseff foram enganados com a lei.
"N�o corresponde � verdade. Foi uma lei aprovada para o combate a organiza��es criminosas. Pode-se discutir hoje se est� sendo bem aplicada ou n�o, mas isso � uma outra quest�o. � um debate que est� sendo feito na comunidade jur�dica, sobre aspectos dessa lei, inclusive sobre a dela��o premiada", diz Cardozo.
Sobre o primeiro encontro relatado por Joesley, o ex-ministro diz que esteve em reuni�es sociais com o empres�rio e que n�o sabe a qual ocasi�o ele est� se referindo.
Ele afirma que "sempre havia outras pessoas presentes" e que n�o se lembra de ter feito coment�rios com Joesley sobre a aprova��o da lei.
Em nota, a J&F (controladora da JBS) disse que os �udios divulgados pela revista j� tinham sido recuperados dos aparelhos entregues h� meses por Joesley Batista � Pol�cia Federal e "estavam com sigilo decretado pelo Supremo Tribunal Federal por se tratarem de di�logos entre advogados e clientes".
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