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Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina

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O futebol é um show

Com altos investimentos e farta propaganda, muitas vezes se mostra o que não existe

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Após a primeira rodada do Brasileirão, o técnico Mano Menezes foi demitido pelo Fluminense. Pedro Caixinha, do Santos, e Zubeldía, do São Paulo, já estão sendo fritados pelas inúmeras mídias e pelos clubes. A principal razão de tantas mudanças de técnicos é a supervalorização deles nas vitórias e nas derrotas, como se quase tudo o que acontecesse no jogo fosse decorrente da estratégia, da escalação e das ações dos treinadores.

O que acontece com Mano Menezes? Ele, que sempre foi um treinador racional e equilibrado, tem sido muito agressivo com os jogadores e com os torcedores durante as partidas.

Um homem com cabelo curto e bem penteado, vestindo uma camisa preta, parece estar em um momento de reflexão ou desânimo. Ele está olhando para baixo, com uma expressão séria, e o fundo é desfocado, sugerindo um ambiente de campo de futebol à noite.
O treinador Pedro Caixinha na partida Santos 3 x 1 São Paulo, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista - Carla Carniel - 1°.fev.25/Reuters

No Corinthians, Mano Menezes chamou Yuri Alberto de burro durante um jogo, provocando o choro do jogador. No Fluminense, discutiu duramente com Marcelo e até com o sensato capitão Thiago Silva. Na mesma partida, Mano substituiu Serna com 13 minutos de jogo, alegando problemas táticos, e o atleta saiu chorando. Assim como vários profissionais e jogadores, alguns treinadores também necessitam de ajuda psicológica.

Os treinadores são importantes, mas nem tanto. Mais decisivos são o talento e as escolhas dos jogadores durante as partidas.

Flamengo e Inter, dirigidos por dois excelentes treinadores, Filipe Luís e Roger Machado, fizeram um ótimo jogo no empate por 1x1. O Flamengo foi um pouco melhor e teve mais chances de gol, mas faltaram os talentos ofensivos de Arrascaeta e Gerson, além de Pedro, que há muito tempo não joga.

A imagem mostra um momento de uma partida de futebol, onde um jogador do time com uniforme preto e vermelho está levantando a perna para chutar a bola, enquanto um jogador do time adversário, vestido de branco e vermelho, tenta interceptar. Outros jogadores estão posicionados ao fundo, com torcedores visíveis nas arquibancadas.
Léo Ortiz e Wesley em Flamengo 1 x 1 Internacional, no Maracanã, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2025 - Claudia Martini - 29.mar.25/Xinhua

No empate por 0x0 entre Palmeiras e Botafogo, outra boa partida, o time carioca foi superior, criou cinco claras chances de gol, ante apenas uma do Palmeiras. Mas o Botafogo não tem mais Almada e Luís Henrique. Os jogadores especiais fazem a diferença. O destaque do jogo foi o ótimo volante Gregore, formando um trio no meio junto com Marlon e Patrick de Paula, contra apenas dois jogadores do Palmeiras.

O botafoguense Gregore na partida Palmeiras 0 x 0 Botafogo, no Allianz Parque - Thiago Bernardes - 30.mar.25/Reuters

Abel Ferreira, para justificar o número enorme de bolas aéreas, está certo quando diz que a maioria dos gols no futebol nasce de bolas cruzadas; paradas ou em movimento. Porém é importantíssimo trocar passes pelo centro, provocar os movimentos dos laterais na cobertura dos zagueiros, para em seguida passar a bola para os pontas ou laterais, que terão muito mais liberdade e condições de fazer cruzamentos precisos.

A contratação do centroavante Vitor Roque, por uma grande fortuna, é paradoxal, pois o jogador se destaca não pelas jogadas aéreas, e sim pela velocidade nos pequenos e grandes espaços. Além disso, Vitor Roque é um bom jogador, com chances de evoluir bastante, mas foi precocemente valorizado e endeusado antes da hora, como é habitual no futebol brasileiro. Não foi surpresa ele não ter ido bem na Espanha.

Vitor Roque no aquecimento antes da partida contra o Botafogo - Thiago Bernardes - 30.mar.25/Reuters

Os jogadores especiais fazem a diferença. O São Paulo, sem Lucas Moura e Oscar, piora muito de qualidade, como ocorreu no empate, em casa, por 0x0 contra o Sport.

Apesar de muitos gramados ruins, dos riscos de violência no trajeto para os estádios, dos altíssimos preços dos ingressos e das variáveis qualidades técnicas das partidas, os estádios no Brasil estão sempre cheios. Os investimentos e as propagandas são maciços. Muitas vezes mostram o que não existe.

É o exagero, a sociedade e o futebol do espetáculo, um show.

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