Descrição de chapéu Obituário Val Kilmer (1959 - 2025)

Morre Val Kilmer, estrela de 'The Doors' e 'Batman Eternamente', aos 65 anos

Um dos principais protagonistas de Hollywood nos anos 1990 ganhou fama de temperamental e perdeu a voz após câncer

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Um homem com cabelo cacheado e longo, sem camisa, está com os braços abertos em um fundo claro. Ele usa um colar e tem uma expressão séria.

O ator Val Kilmer como Jim Morrison em cena do filme 'The Doors', de 1991 - Divulgação

São Paulo

Morreu nesta terça-feira Val Kilmer, aos 65 anos, um dos principais atores de Hollywood nos anos 1990, que estrelou filmes como "Top Gun", "The Doors", "Tombstone" e "Batman Eternamente" e ganhou a reputação de bad boy da indústria americana, e Hollywood.

Kilmer foi vítima de uma pneumonia, afirmou sua filha, Mercedes Kilmer. O ator havia recebido um diagnóstico de câncer de garganta, em 2014, quando estava dedicado ao teatro. Descobriu a doença após perder a voz durante a apresentação de uma peça na qual fez o que considerava o papel de sua vida, o do escritor Mark Twain.

Val Kilmer em cena do filme 'O Santo', de 1997 - Divulgação/Divulgação

Ele se recuperou, chegou a perder a voz, usando aparelhos para poder falar, mas ainda voltaria às telonas em 2022, com "Top Gun: Maverick". Na continuação, reprisou o papel do aviador naval Tom "Iceman" Kazansky ao lado de Tom Cruise, seu personagem no primeiro "Top Gun", de 1986, que o lançou ao estrelato.

No longa mais recente, ele tem uma emocionante conversa com o personagem de Cruise, só possível graças a um efeito que recuperou a voz de Kilmer com inteligência artificial.

Nascido em 1959, em Los Angeles, na Califórnia, e formado no mitológico conservatório Juilliard, Kilmer também marcou Hollywood por suas inúmeras desavenças com diretores e outros artistas, brigando no set com nomes como Michael Douglas e Robert Downey Jr., somados a uma série de fracassos que prejudicaram sua carreira.

Ao longo dos anos, Kilmer ganhou a reputação de temperamental, intenso, perfeccionista e, às vezes, egocêntrico —rendendo a ele o título, em 1996, de "o homem que Hollywood adora odiar", pela revista Entertainment Weekly.

"Quando certas pessoas me criticam por ser exigente, acho que isso é uma desculpa para algo que elas não fizeram bem. Acho que estão tentando se proteger", disse Kilmer ao jornal Orange County Register, em 2003. "Acredito que sou desafiador, não exigente, e não peço desculpas por isso."

Filho de um empresário bem-sucedido, desde a infância tinha uma câmera para brincar de cinema com os irmãos. Com o tempo, sem perceber, se descobre um memorialista, gravando e guardando tudo que diz respeito à sua vida, material que seria aproveitado no documentário biográfico "Val", de 2021.

Os pais se divorciaram quando Kilmer tinha nove anos e, em 1977, sofreu um trauma familiar quando seu irmão mais novo se afogou na piscina —episódio que seria ficcionalizado muitos anos depois, no filme "A Sombra de um Homem", de 2002.

Aos 17, muda-se para Nova York e se torna um dos alunos mais jovens já admitidos no programa de atuação de Juilliard. Lá, deu seus primeiros passos no teatro, encenado uma adaptação da autobiografia de Michael Baumann, um guerrilheiro urbano da Alemanha Ocidental.

A promissora carreira no teatro, porém, já inicia com uma decepção. Seria o protagonista da peça "The Slab Boys", na Broadway, um drama de John Byrne sobre jovens trabalhadores em uma fábrica de tapetes escocesa. Mas, quando Sean Penn e Kevin Bacon entraram para o elenco, caiu para um terceiro papel.

Foi então abraçado por Hollywood e voltou para Los Angeles. Fez sua estreia no cinema estrelando a paródia de espionagem "Top Secret! - Superfconfidencial", de 1984, vivendo um cantor americano em Berlim, que acaba envolvido, sem querer, numa conspiração da Alemanha Oriental para reunificar o país.

No ano seguinte, faria a comédia "Academia de Gênios", sobre um grupo de estudantes que inventa um laser de alta potência e transforma a vida do professor deles num inferno quando descobrem que ele quer roubar o projeto.

Após o sucesso de "Top Gun", Kilmer estrelou a fantasia do diretor Ron Howard, "Willow: Na Terra da Magia", de 1988, e se casou com a atriz britânica Joanne Whalley, com quem teve dois filhos antes de se divorciar.

Um de seus papéis mais desafiadores veio no longa "The Doors", de 1991, do diretor Oliver Stone, onde interpretou Jim Morrison, o carismático sex symbol psicodélico e vocalista da influente banda de rock.

Para tentar convencer Stone a escalá-lo, Kilmer gravou um vídeo de oito minutos de si mesmo cantando e imitando Morrison em vários momentos de sua vida. Ele dedicou um ano inteiro a estudar o músico, decorando seus gestos e a forma de falar, além de ter aprendido mais de 50 canções da banda. A própria voz de Kilmer é usada no filme, que marcou os anos de maior destaque de sua carreira.

Tão mergulhado no personagem, sua interpretação impressionava a equipe no set, além dos colegas de banda de Morrison, como Robby Krieger e Ray Manzarek. Ao fim do processo, Kilmer precisou passar por uma terapia para se desligar da caracterização.

No faroeste "Tombstone", dois anos depois, ele interpretou Doc Holliday, célebre dentista, jogador de pôquer e pistoleiro do Velho Oeste. No mesmo ano, faz também um papel coadjuvante em "Amor à Queima-Roupa", filme de ação alucinado com roteiro de Quentin Tarantino e direção de Tony Scott.

Teve dois sucessos comerciais em 1995, coestrelando com Al Pacino e Robert De Niro no drama policial "Fogo Contra Fogo", de Michael Mann, e sucedendo Michael Keaton no papel do Cavaleiro das Trevas em "Batman Eternamente".

Barulhento e arrastado, o longa foi recebido de forma morna pelos críticos, e Kilmer foi ofuscado por Tommy Lee Jones e Jim Carrey. Kilmer desistiu do próximo filme do Batman. O diretor Joel Schumacher chamou Kilmer de "o ser humano psicologicamente mais perturbado com quem já trabalhei."

Com o passar dos anos, o filme se tornaria uma piada entre fãs pelo seu estilo caricatural, que tinha ainda Tommy Lee Jones como o vilão Duas-Caras e Jim Carrey como o Charada.

Nos anos seguintes, estrelaria ainda "O Fantasma e a Escuridão", de 1996, uma história de época, ambientada na África do final do século 19, em que Kilmer foi um engenheiro atacado por leões enquanto tenta construir uma ponte, que pede ajuda a um experiente caçador, vivido por Michael Douglas.

Ainda como coadjuvante, foi Willem de Kooning, um colega do pintor Jackson Pollock, interpretado por Ed Harris na cinebiografia de 2000. Já em "Alexandre", de 2004, viveu Filipe da Macedônia, o pai do conquistador, papel de Colin Farrell.

Entre outros papéis menos alardeados entre a crítica e o público, fez "A Ilha do Dr. Moreau", inspirado no romance de H.G. Wells e "Crimes em Wonderland", de 2003, sobre um crime real, no qual viveu o astro pornô John Holmes. Experimentaria também ao lado de Francis Ford Coppola em "Virgínia", de 2011, sobre um escritor de terror comercial que passa com sua turnê por uma cidade amaldiçoada pelo assassinato de crianças no passado.

Também viveria Mark Twain em uma adaptação cinematográfica de "Tom Sawyer e Huckleberry Finn", em 2014, e planejava dirigir um filme que escreveu sobre o autor americano e sua mulher, Mary Baker Eddy, que fundou a Ciência Cristã —religião seguida pelo ator.

O ator deixa os filhos Jack e Mercedes Kilmer, do casamento com Joanne Whalley.

Com Reuters

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